sexta-feira, 6 de maio de 2011

Gastronomia também é patrimônio Sanjoanense


Por Thayná Faria e Rômer Castanheira

A receita do sucesso gastronômico de São João Del-Rei não é nenhum segredo de nenhum gourmet. O ingrediente principal são os simpáticos personagens que tem o dom de encantar, e claro, dominam a arte da culinária mineira, desde os pratos principais às sobremesas.

Beijo Quente de Dona Geralda
Dona Geralda de Azevedo trabalha na porta do Cine Glória há 25 de seus 56 anos. Ela vende “Beijo quente”, doce que aprendeu a fazer com os sogros. Na verdade foi desafiada a aprender a receita e sair à rua para vender: “Era uma família de ambulantes aquela, e eles não achavam que eu teria coragem de ir pra rua vender doce, mas eu fui”, conta. E esse é até hoje seu trabalho.
Beijo Quente, uma tradição de 25 anos
No início a receita não dava certo, o doce às vezes passava do ponto ou até queimava. Foi difícil chegar ao padrão de qualidade pelo qual é reconhecido hoje. Dona Geralda, com o tempo, foi acrescentando seu toque à receita dos sogros. Canela é um dos ingredientes incorporado com sucesso e, de vez em quando, ela substitui amendoim por côco. A doceira sabe fazer o Beijo Quente de várias formas, uma bem diferente da outra “até com chocolate dá pra fazer, mas não uso porque algumas pessoas têm alergia, sabe?”, diz. 
Quase toda família da doceira trabalha nessa área: o marido Jorge vende milho cozido na Avenida Presidente Tancredo Neves há mais ou menos 25 anos. As filhas Elza e Josimara também vendem doce na mesma região. Dona Geralda conta que começou em eventos na porta do Minas, estádio de futebol local. Logo a concorrência aumentou e ela percebeu o grande movimento no cinema, até então o único da cidade, e decidiu fixar-se ali.
Mãe de cinco filhos, ela diz que o doce é sua única fonte renda. Em dias de muito movimento chega a vender 100 saquinhos de Beijo Quente. Dona Geralda trabalha de segunda a segunda, seis horas por dia, em pé. E isso não cansa? Sorrindo, ela diz que sentiria falta de trabalhar se tivesse que ficar em casa. Já se acostumou com a rotina que lhe permite conhecer pessoas e até fazer alguns amigos. “Tem gente que pára, compra um doce e fica conversando. Até aproveita pra pedir conselho sobre vida conjugal, essas coisas, vê só”, relata sorrindo.

Pastéis de Seu Pedro
De carne ou queijo e, no período de semana santa, de bacalhau. O pastel mais antigo de São João Del-Rei já é patrimônio cultural da cidade. Produzido há 48 anos por Pedro Eduardo Assunção, 73, o Seu Pedro, tem na qualidade e no carinho o segredo do sucesso. A carne do recheio, por exemplo, é moída pelo próprio pasteleiro, que confessa que o ofício se tornou uma paixão: ”só vou deixar de fazer pastéis quando morrer”.
A arte de fazer pastéis, Seu Pedro aprendeu com o pai
Seu Pedro diz que fazer parte da história de São João Del-Rei como um patrimônio vivo da cidade é trabalhar sempre com vontade e persistência. “No inicio do meu trabalho, os pastéis eram feitos manualmente em todas as etapas. Rodava o cilindro no braço e a amassadeira era com rolo, hoje ambos são elétricos, o que facilita muito”, explica.
Ele conta que a única coisa que conseguiu fazer na vida foi pastel e que desde os cinco anos saía com seu pai pelas ruas de Dores de Campos vendendo o salgado em estabelecimentos e casas. O pai é uma lembrança muito forte, foi quem o incentivou a investir na fabricação dos pastéis e ensinou o valor do trabalho.
Pedro faz a massa várias vezes por dia, de acordo com o movimento. Ele conta que a venda do salgado já foi maior. Lembra que, há alguns anos, a cidade só tinha duas pastelarias, “uma delas era a minha”, mas hoje a concorrência aumentou, são mais de dez. Mesmo assim, o pasteleiro conta que muita gente vem de bairros distantes para comer o salgado.  “Sinto que o movimento é 20% menor do que era nos anos 60 e 70”, avalia.

Churros, pipoca e sorvete na Avenida
Rinaldo trabalha na Av. Tancredo Neves há 30 anos
 Rinaldo Fernandes trabalha vendendo guloseimas na Avenida Presidente Tancredo Neves, no centro da cidade, há 30 anos. O negócio começou com o pai, Alain José Fernandes, que veio de São Tiago especialmente para assumir a barraquinha que até então estava alugada para outra pessoa. Vendia apenas pipoca, mas, com o tempo ampliou os negócios, com uma máquina de churros e outra de sorvete.
Quem ensinou Rinaldo a fazer churros foi o antigo responsável pela máquina, para quem o pai a havia emprestado. A produção varia de acordo com a época do ano: “No verão vendemos mais sorvete; o churros, com doce leite, sabor tradicional, é mais popular no inverno e a pipoca a todo tempo”, diz.
Para completar a renda, Rinaldo ainda trabalha com a reforma de pisos, mas explica que nem sempre tem serviço, o que não acontece com as vendas.  O sucesso, garante, vem da persistência e do gosto pelo que faz, “faça chuva, faça sol, estou aqui” comenta o vendedor que trabalha, diariamente, das 8 às 22 horas. “Sai de São Tiago e vim para São João Del-Rei e desde então não saio daqui. Gosto muito da cidade, gosto do povo sanjoanense”, finaliza.




quarta-feira, 4 de maio de 2011

Raio X do Saneamento Básico

A precariedade do saneamento básico em São João del Rei é um tema que esta sempre em pauta nos debates e movimentos sociais cujo objetivo são melhorias na saúde e no meio ambiente da cidade. Mas estes movimentos apresentam muitos insucessos. É o caso da Vila Nossa Senhora de Fátima, próxima aos bairros de Matosinhos e Fabricas em que a falta de cooperação e descaso é eminente. O bairro abriga mau cheiro e condições sanitárias incorretas que podem ser vistas ao passar pelo local.

A infra-estrutura do bairro é precária e um de seus problemas mais comuns é o fato de ter seus moradores em contato direto com animais não domésticos como cavalos, galinhas e porcos, correndo risco de contrair doenças. A profilaxia do local é arriscada e de acordo com a secretaria do Meio Ambiente de São João del Rei faltam profissionais responsáveis pela vistoria do local afim e proporcionar melhores condições os moradores. A Secretaria afirma que estes problemas nem seriam da resolução da Secretaria de Meio Ambiente e sim da vigilância sanitária juntamente com o setor de zoonoses da cidade, o que não acontece de acordo com a mesma.


Maria de Fátima Oliveira, no bairro há mais de vinte anos, relata que várias reclamações já foram feitas e que nenhuma providencia é tomada. Muitas famílias criam porcos, cavalos e galinhas em casa, o que prejudica a higiene da família e de quem convive no meio. “Acho que a vigilância sanitária é a responsável por vistoriar esses locais e que ela não faz a devida vistoria, por isso tudo se mantém como está”.

De acordo com o coordenador de Pragas Urbanas da Secretaria de Saúde de São João del Rei, Valdisnei Lopes da Silva, existe uma lei federal para criação de um centro de pesquisas na área de zoonoses que cuidam também dos suínos, fator direto do bairro citado. Porém na cidade, o que existe é um setor interligado na secretaria de saúde que verifica o local mas não responsáveis por mudanças e alterações do ambiente. O setor de Zoonoses tem pratica maior em relação a animais de pequeno porte como cães e gatos não sendo diretamente ligado com a questão da proibição da criação de suínos nas casas, o que poderia provocar doenças graves aos moradores do local.



Tamanho não é documento

Em pesquisa realizada no ano passado grandes metrópoles como Belo Horizonte apareceram como uma das melhores capitais do país em saneamento básico, só perdendo para Brasília. A água distribuída no município já é toda tratada. A destinação do lixo, aumento da coleta seletiva e a caça a ligações de esgoto clandestinas serão os maiores desafios enfrentados pela administração pública nos próximos quatro anos.

As estimativas estão no estudo feito pelo Instituto Trata Brasil, uma Organização Social Civil de Interesse Público (Oscip) fundada por empresas e entidades brasileiras ligadas à área de saneamento. Os dados são coletados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e analisados por especialistas do próprio instituto e da Fundação Getúlio Vargas (FGV).


Saneamento Geral


Essa situação do setor de saneamento no Brasil tem conseqüências muito graves para a qualidade de vida da população, principalmente aquela mais pobre, residente na periferia das grandes cidades ou nas pequenas e médias cidades do interior.

A falta de saneamento mata sete crianças por dia no Brasil. O dado alarmante foi anunciado pelo presidente do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos. Hoje, segundo dados do Ministério das Cidades, menos de 44% da população está ligada a uma rede de coleta de esgoto e somente um terço do que é coletado é tratado. O país figura no “Ranking da Vergonha”, entre as nações com mais pessoas sem acesso a banheiro - 13 milhões de brasileiros.De acordo com o presidente do Trata Brasil, só a sociedade pode mudar o quadro atual. “A nossa percepção é de que, enquanto as pessoas não se conscientizarem da importância do saneamento e priorizarem isso na hora de voto, os investimentos necessários não vão se realizar numa velocidade suficiente para o país”

sábado, 30 de abril de 2011

Modificações corporais: busca por identidade e inserção em grupos sociais

 Thayná Faria e Rômer Castanheira


Aos 23 anos, a estudante do curso de Letras da UFSJ, Francine Oliveira, conta 16 tatuagens, 3 escarificações (ou scars, como prefere chamar),13 piercings e mais 10 alargadores. Ela começou com apenas um piercing no nariz, colocado em uma farmácia com pistola de furar orelhas. A vontade de modificar o corpo surgiu na adolescência. Francine investiu na paixão e tornou-se uma body artist. Pesquisou na internet e em revistas especializadas. Logo, a perfuradora corporal (termo usado no Brasil) que praticava apenas em si, já estava trabalhando com amigos e pessoas próximas.
 O psicólogo social, mestre e doutorando em psicologia pela UFRJ e professor da UFSJ, Julio Rocha, afirma que existem inúmeras motivações para que um indivíduo marque a própria pele. “Vemos constantemente nos jornais e revistas, pessoas que tatuam o nome dos filhos ou namorados, frases e declarações de amor, rostos de pessoas importantes na vida delas, símbolos e imagens significativos ou representativos da história de vida das pessoas. Isso tudo evidencia componentes afetivos e sociais que motivam a marcação”, diz. Para ele a modificação corporal proporciona autoafirmação e individuação, que são consideradas fundamentais para o desenvolvimento psíquico dos indivíduos.
 Francine diz que a maioria dos clientes está interessada nas intervenções por questões estéticas.  Outro tatuador e body-piercer, Cleiton Soares, o “Juh”, 28, concorda com Francine, mas acrescenta que muitos fazem porque os amigos também fizeram. “Hoje é moda”, afirma.
O psicanalista Hugo Silva Valente reconhece que esse tipo de prática está intimamente ligada às relações sociais. “A noção de beleza está muito associada à noção do fetiche”, diz. Segundo Hugo, toda modificação é uma tentativa de formar um símbolo representante, seja de status, de beleza ou verdade. Tal como um rito de passagem, a prática da modificação estética seria uma forma de estabelecer laços sociais e se integrar a um grupo.


Dor
A escarificação (ou scarification) é um dos procedimentos que mais causam impacto nas pessoas. Sobre ele, Francine conta que realmente é dolorido, e a parte mais difícil é suportar o ‘depois’, do processo, mas também há certo prazer envolvido.  Ela acredita que tal arte é uma forma de provar maturidade para si mesma dentro da modificação corporal. Entretanto, não é qualquer um que pode fazer a escarificação: “Normalmente já se tem contato com a arte... Para realizar o procedimento leva tempo, como se fosse um treinamento. Tem que avaliar a capacidade da pessoa de suportar a dor”, relata. 
Uma das escarificações da Francine 
Segundo a estudante o risco envolvido na escarificação é maior, visto que qualquer infecção pode alcançar elevadas proporções devido a grande quantidade de tecido exposto no processo. A incisão também é muito profunda; e em relação à cicatrização o ideal é que demore para que o desenho fique mais definido.
E não, não há utilização de anestesia, dúvida muito freqüente entre os não adeptos. “Não é muito certo usar, mas tem gente que prefere – geralmente o artista. Na Venezuela usam abertamente. O problema, é que para o uso da anestesia, também é necessário um profissional qualificado no ambiente”, diz Francine.
Quando questionado sobre a função da dor no procedimento, Julio diz que ela faz parte de todo o processo e pode ser valorizada tanto por quem vivencia a prática, quanto por aqueles que observam. O ato de infringir dor ao corpo é uma forma de obter satisfação. Para Hugo Silva Valente, a psicologia após 1905, depois de Freud, reconhece vários modelos de satisfação que vão contrários à idéia de prazer consciente. Ele deixa claro que fetiche cultural e masoquismo, devem ser vistos de forma isolada. “O sujeito pode formar seu símbolo sem necessariamente sentir dor. Um brinco ou um piercing cumprirá a função reservada ao fetiche, mas dificilmente iria satisfazer o sujeito em busca da satisfação pela dor”, diz. Julio lembra que é necessário diferenciar o masoquismo relacionado a modificações corporais da prática do body-art, onde a dor cumpre função específica.  


Body art ou modificação corporal?
Outro termo utilizado para designar modificação corporal é “Body art”, pois praticantes e admiradores encaram as modificações como expressões artísticas, entretanto, com distinções dentro das próprias práticas. Francine conta que body art é todo tipo de arte feita no corpo ou com ele, como maquiagem artística, performances de qualquer tipo (inclusive as que envolvem agulhas ou a própria suspensão), além da pintura corporal. “Modificação corporal, body modification ou body mod envolve uma modificação do corpo mesmo, a "longo" prazo, mas não necessariamente permanente”, diz.
Juh concorda. Segundo ele, a body art engloba todos os tipos de modificação corporal, mas o termo ‘modificação corporal’ refere-se principalmente a “procedimentos que fogem um pouco dos padrões e que geralmente são irreversíveis”. 


Regulamentação profissional
Assim como para tatuagens e piercings, práticas mais “extremas” de modificação corporal também não exigem regulamentação profissional. Os interessados em aprender tais técnicas realizam cursos ou tem ajuda de alguém mais experiente. Entretanto, Juh e Francine acreditam que se aprende realmente no dia-a-dia, com a prática.
Autoretrato do Juh
Para o tatuador, saber desenhar é essencial. Existem cursos específicos que cedem certificados.  Juh participou de vários desses cursos, sendo o primeiro realizado na cidade de Perdões, em Minas Gerais. Porém, sobre tais cursos, Francine relata que tanto o de desenho quando de tattoo são poucos e muito caros. Ela aprendeu o ofício principalmente com profissionais mais experientes que estão no ramo já há algum tempo. Algumas pessoas desenvolvem essas habilidades de forma autodidata, principalmente o desenho. O próprio Juh conta que começou a desenhar sozinho, quando criança.
Branding e Escarificação são para ele as práticas mais extremas, enquanto a suspensão tem se tornado mais comum. Existe também uma técnica na qual se aplica pigmentação aos olhos, mas essa ainda não tem nome específico. Essas modalidades de body art são realizadas paralelamente às práticas que acontecem no estúdio, mas não são tão publicizadas como as tatuagens, pois na teoria são ilegais: “É super velado. Feito em estúdio mesmo, mas não há propaganda”, diz Francine. Autoridades entendem esse tipo de procedimento como mutilação, mesmo que os praticantes estejam de acordo ao realizá-las.  


Riscos e cuidados
Quanto aos riscos existentes em processos de modificação corporal e body art, os profissionais dizem que devem ser encarados com seriedade, como em qualquer procedimento cirúrgico. Infecções simples que podem vir a generalizar-se, quelóides, cicatrizes permanentes, rejeição às peças, e doenças como hepatite e HIV. Juh diz que para evitar qualquer tipo de problema é importante observar as condições de higiene e assepsia do local e do profissional, além de verificar se o estabelecimento tem autorização da Vigilância Sanitária.
Material utilizado no estúdio Empório Tattoo
O material utilizado no estúdio deve ser descartável e esterilizado, se necessário. Para a esterilização eficaz, o profissional deve usar o autoclave. O armazenamento do material também deve ser feito com cuidado, respeitando as indicações adequadas para cada produto e instrumento.
(Foto da autoclave)
Francine conta que o problema em alguns locais é a falta de cuidado dos profissionais. A falha mais comum é a retirada das luvas antes de terminar o procedimento, quando, por exemplo, o cliente já se foi, mas ainda restam agulhas para serem jogadas fora. Essa falta de atenção coloca em risco a saúde do próprio profissional, que entra em contato direto com material cortante utilizado no processo. A forma de descarte é a mesma do lixo hospitalar. Juh diz que em seu estúdio, isso é separado e uma pessoa passa para buscar. “Não pode ser deixado na rua como qualquer tipo de lixo”, explica.  


Preconceito e discriminação
O psicólogo social Julio Rocha diz que a discriminação em relação a body art e modificação corporal ainda existe e é bem definida, especialmente em relação à aficionados que marcam boa parte do corpo. Para ele é importante evidenciar que algumas práticas podem ser mais valorizadas socialmente e esteticamente – como o implante de silicone nas mamas, por exemplo – enquanto outras podem ser menos apreciadas pela sociedade, como o uso de alargadores ou escarificações.
Juh e Francine concordam que atualmente o tema é visto com menos preconceito, mas ainda há alguma resistência: “Ainda tem essa visão, mas a marginalização é menor. É mais o impacto mesmo”, diz Francine em relação à aversão de algumas pessoas à modificação corporal.

*Fazendo uma tatuagem: assista ao video!* http://www.youtube.com/watch?v=lgGP4edfPyE
 

Tipos de modificação corporal e body-art mais comuns
Tatuagem: é uma das formas de modificação corporal e body art mais conhecidas. Um desenho permanente é feito na pele a partir de aplicação subcutânea de tinta. Durante muitos séculos foi irreversível, mas atualmente pode ser “apagada” com laser. A remoção completa (que não deixe ao menos uma pequena cicatriz) geralmente não é possível.
Piercing: trata-se de uma perfuração na pele para aplicar alguma jóia feita especificamente para esse tipo de body-art.
Alargadores: são peças que mantém o tecido expandido. A idéia é expandir qualquer tecido para colocação de uma peça maior.
Escarificação: é um procedimento permanente concebido para decorar o corpo. É feita incisão na pele com o intuito de cortar ou remover tecidos. O instrumento utilizado, geralmente bisturis, deve ser afiado e esterilizado. Existem diferentes tipos de escarificação, caracterizadas pelo material utilizado e técnicas aplicadas. Essa prática é considerada muito valiosa artisticamente por alguns clãs e tribos, principalmente na África Ocidental. 
Branding: são queimaduras feitas por aço ou laser e cauterizadas por ferramentas como ferro de solda, por exemplo.
Microdermal: o microdermal é uma micro placa que fica sob a pele com uma saída única, onde podem ser rosqueadas peças, que por sua vez podem variar desde implantes simples a algo mais sofisticado. O efeito visual é de que a pessoa está utilizando jóias.
Subdermal: material tipo PTFE ou teflon implantado debaixo da pele – é o único implante subcutâneo. Simula a aparência de chifres, por exemplo.
Transdermal: é o antecessor do microdermal. Possui apenas uma saída e é feito com incisão cirúrgica interna, além do furo.
Suspensão corporal: é o ato de suspender um corpo humano através de ganchos passados por perfurações na pele. Estas perfurações são temporárias e normalmente abertas pouco antes da suspensão ocorrer. Os ganchos utilizados são feitos de aço cirúrgico e colocados como piercings tradicionais, com agulhas. A localização exata desses ganchos no corpo determina o tipo de suspensão que está sendo executada, e o número de itens instalados geralmente depende do peso da pessoa e seu nível de experiência.

*Colaboração de Gabriel Riceputi

sábado, 9 de abril de 2011

Aquarelas musicais de Isabel Galéry

Thayná Faria e Rômer Castanheira

Flores de Piranga

Conhecimento técnico aliado ao talento. Estes são os componentes essenciais do processo de criação da artista plástica Isabel Galéry (www.flickr.com/photos/isabel_galery). Mineira de Belo Horizonte, ela trabalha com partituras musicais antigas e diz que a escolha se deve à beleza dos registros gráficos, paixão que ficou mais intensa após uma visita ao Museu de Cluny, em Paris, onde está um rico acervo de arte medieval.
Segundo Isabel, “mesmo aqueles considerados autoditadas tiveram que aprender e desenvolver seu dom de alguma forma e em algum momento. Ninguém nasce pronto e sabendo. Eu estou sempre estudando e aprendo todo dia um pouco mais. Acho que isso nunca tem fim.”
Em 2010, por intermédio do maestro Arnon Sávio Reis, Isabel fotografou partituras do acervo da Escola de Música da UEMG (Universidade do Estado de Minas Gerais). A aproximação da artista com a música teve início na infância, quando começou a estudar piano. Atualmente Isabel está envolvida em outras atividades musicais, como coral e violino.

Delírio Musical I e Pórtico


Arranjo da obra
As aquarelas são feitas a partir de fotografias e sobreposições idealizadas por Isabel. A inspiração tem várias fontes, desde “uma pichação em algum prédio, uma pedra, flor, ou mesmo de uma combinação de cores que me atraia”, diz. São João Del Rei é um desses modelos de inspiração e talvez por isso tenha sido a escolhida para abrigar a mostra. Para a artista, a cidade possui harmonia entre os diversos estilos arquitetônicos, como o barroco ou colonial, art déco e construções contemporâneas.
Sobre o processo de composição das obras, Isabel destaca que cada uma tem sua história. Algumas já estão ali, apenas à espera do início do trabalho. Outras demandam mais tempo e dedicação. Segundo Galéry, aquarelas pequenas podem ser feitas em um só dia, enquanto trabalhos em tela geralmente demoram mais, pois a técnica exige certo tempo de espera já que é composta por diversas camadas.

Vida de artista

Auto retrato
Isabel, que atualmente mora e trabalha em Belo Horizonte, afirma ser “um pouco viciada em estudar”. A artista que entrou na escola de Belas Artes aos 17 anos, é Bacharel em desenho e pintura pela UFMG, pós-graduada em Arte-terapia no Centre de Estudos Avançado em Psicologia (CICLO-CEAP), Poéticas Visuais na UEMG, e, em Arte Contemporânea, na PUC Minas.
Isabel já expôs em várias cidades no Brasil e no exterior, como Itália, Canadá e França. Em Minas Gerais, ganhou o prêmio Van Damme, na 4ª Integrarte de Belo Horizonte. Seu mais recente trabalho, a mostra “Do som ao signo: o resgate do afeto” pôde ser vista durante o mês de março no Centro Cultural Solar da Baronesa, em São João Del Rei.

domingo, 20 de março de 2011

Resgate das memórias televisivas e novos paradigmas da Mídia marcou Palestra de Sergio Mattos na UFSJ.


Em 2010 o Jornalista Baiano Sérgio Mattos, esteve presente no Campus Tancredo Neves, contando um pouco de sua trajetória como profissional e revelando fatos da cultura televisiva da Bahia e do Brasil para os alunos do curso de Comunicação Social – Jornalismo da UFSJ.
Em um resgate ao passado, Sérgio Mattos cita sexy simbols que eram grandes atrativos da tevê na época, fazendo render ofertas e lucros tanto para as ´´apetitosas`` como ele mesmo cita as atrizes quanto para a emissora.
Para Mattos, o declínio da televisão acontece em meados dos anos 90, no governo Fernando Henrique Cardoso. Mesmo sendo um período em que a economia estava em constante progressão, a televisão e os meios de comunicação não tiveram o mesmo avanço com qualidade. Para registro, na época, 6 milhões de televisores foram adquiridos pela população diz o jornalista. A partir dessa quantidade expressiva de consumidores, o nível de audiência sofreu sérias alterações como a entrada de uma classe forte, mas com baixo nível intelectual.
Sergio Mattos conta que em sua visita aos Estados Unidos, se deparou com fatos de novelas terem a duração de décadas, o que na acontece no Brasil em que no máximo 180 capítulos são exibidos. Nos Estados Unidos, os papeis individuais são importantes, mas não superam a importância do conteúdo conjunto.
Se pudesse estudar algo do mundo contemporâneo, estudaria o que mais me interesso hoje, a mudança de classe dos públicos televisivos; se o pensamento é alterado quando há a mudança de classe social, desabafa Mattos, que sugere aos alunos de jornalismo ,a produção de pesquisas que resgatem a memória da Tevê e o que o jornalismo televisivo produziu todos esses anos.
Sérgio Mattos é jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (1971), Mestre em Comunicação pela Universidade do Texas, em Austin, Estados Unidos (1980), Doutor em Comunicação pela Universidade do Texas, em Austin, Estados Unidos (1982). Poeta, cronista, compositor e pesquisador universitário com 25 livros publicados no Brasil e no exterior.

“O teatro é de todos e para todos”



O Teatro Experimental é um movimento contemporâneo que apresenta uma crítica ao modelo de teatro burguês, dando voz a uma necessidade que atende a realidade contemporânea, e sendo auto- reflexiva, crítica, eclética e alternativa. “Queremos experimentar coisas, reciclar, dividir, trocar e fazer”, é assim que Kaike Barto descreve os objetivos do recente grupo de Teatro T.E.U., formado por estudantes da UFSJ.
O grupo, que surgiu do anseio dos universitários em participar do Festival Estudantil que aconteceria em Barbacena, reuniu à bagagem dos seus onze integrantes em trabalhos anteriores, dando corpo à primeira montagem “Que Seja Doce”. A peça, elaborada pelo auxilio de textos fortes e extremamente expressivos, da obra de Caio Fernando de Abreu, com elementos do Teatro Contemporâneo, misturando música, dança e teatro.
O nome T.E.U. (Teatro Experimental Universitário) nasceu devido à necessidade de uma nomenclatura para participar do Festival Estudantil e, segundo Kaike, pela brincadeira ao fim das apresentações com a plateia: “Esse é o Teu grupo!”, sugerindo a ideia de coletividade para com os espectadores.
Os ensaios geralmente acontecem no Campus Tancredo Neves e recentemente, com o amparo da professora Ana Dias, o grupo conseguiu o auditório do Campus Dom Bosco para seus encontros. As melhores ideias, segundo o grupo, são elaboradas nos encontros informais que acontecem nas casas de amigos.
Conquistas
O grupo foi destaque no Festival de Teatro da cidade de Lamim (FESTEMIM) que contou com grupos de Belo Horizonte, Juiz de Fora, Cipotânea, Betim, Congonhas e Rio Espera. Conquistaram 7 prêmios, dentre eles Melhor Direção/Categoria Adulto, Melhor Direção/Categoria Alternativo, Melhor Espetáculo/Categoria Adulto, Melhor Espetáculo/Categoria Alternativo, Melhor Trilha Sonora, Melhor Atriz (Aline Monteiro) e Melhor Ator (Kaike Barto), e ainda indicação a Melhor Figurino. Os integrantes do grupo agradeceram ao reitor Helvécio Reis pelo apoio e também todos que colaboraram para essa premiação.
Com participações em festivais em vista, inclusive uma grande proposta interestadual, o Grupo T.E.U. recebeu convites para apresentar em Viçosa, Juiz de Fora e Belo Horizonte. “Esperamos poder em breve, apresentar em São João del-Rei”, confessa Kaike.